Blog Dois Pernods

Irmãs e Filhas - Capítulo 4

Atualizado: 14 de Mar de 2019


Nove meses se passaram e Norma dava à luz na maternidade. O parto estava sendo um sufoco, visto que o menino se enrolara no cordão umbilical e estava ou não estava para nascer morto. Na sala de espera Dona Jacinta aguardava agoniada: Volta e meia pedia, a um e a outro, informações sobre a filha e a criança.


Carmen não havia ido ao Hospital. Revoltada, trancou-se no quarto: Quando viu que irmã estava realmente grávida, ficou possessa e não podia fazer mais nada além de aguardar o nascimento da criança para saber quem era o pai de verdade. Contudo, do fundo do seu íntimo, desejava que o bebê nascesse morto.


Na maternidade, no entrando, na sala de cirurgia, acontecia, enfim, o nascimento da criança por vias da cesariana. Os médicos retiraram-na às pressas e bateram no bumbum do bebê assim que ele veio ao mundo. As enfermeiras o conduziram para a UTI Neo-Natal assim que o médico autorizou.


Mais tarde, por ironia do destino, Norma via o menino pela vidraça. Com sua mãe ao lado, a menina sorriu e, olhando para D. Jacinta, disse: - É um menino lindo! Um bebezão! Parece um pouco comigo, mas é a cara do pai... Vai se chamar Teobaldo! - Acho melhor esperarmos para ver quem é o pai. - Ainda tem dúvidas, mamãe? Seu Ronaldo continuava como fugitivo, mas sabia, obviamente, do nascimento da criança. Durante todo o tempo manteve contato com a filha... Mandava notícias, a encontrava às escondidas, além de volta e meia aparecer de supetão para ver como ela estava. Quando chegaram em casa, após a alta dada pela maternidade, Dona Jacinta entrou no quarto de Carmen que, quando a viu, foi logo perguntando: - E então? Nasceu morto? - Não, filha, não... Nasceu vivo e é um menino lindo! - Mas que droga! Será possível que não existe justiça nesse inferno? - Minha filha, não fale assim... A criança não tem culpa! - Eu sei que não, mas gostaria que tivesse nascido morto! Agora ela vai andar por aí, desfilando pela rua com a criança dizendo que é filho do Teobaldo! - Calma, minha filha, calma! Nós vamos fazer aquele exame que te falei que existe nos Estados Unidos. Veja isso: É um fio de cabelo. Arranquei da cabecinha do bebê no hospital. - Mamãe! A senhora arrancou? - Arranquei, minha filha, arranquei! Fiquei com dó, mas arranquei. Não tinha tesoura por perto e como acho que sua irmã jamais vai me deixar tocar nessa criança, eu não tive outro jeito... Acabei arrancando da cabecinha dele rapidamente... Agora só precisamos pensar quem pode ser o pai. De toda forma, guardou aqueles fios de cabelo que estavam na roupa do Teo? - Guardei. - Tem certeza que é dele, não é? - Claro que tenho, né mamãe? Eu não conheço o cabelo do meu marido? – Falou isto procurando um vidrinho no armário. - Preciso que tenha mesmo! Porque juntei uma fortuna para pagar este exame. Agora, minha filha, bom mesmo era se tivéssemos uma ideia de quem pode ser o pai de verdade, para comprovar mesmo que esse menino é filho de outra pessoa que não o Teo, sabe? - Toma, estão aqui os cabelos... - Ótimo, vou entregar na clínica que fará o exame. - Ai, mamãe, e se não der certo? - Vai dar certo, minha filha! Vai dar! É coisa do estrangeiro... E depois, me garantiram que não tem erro! Se o Teo não for o pai deste fio de Cabelo, o exame vai acusar! - Está certo, mamãe, então vamos à Clínica juntas. Eu quero ir com a senhora! - Então vamos, minha filha, vamos! E saíram as duas apressadas... No mesmo dia, Seu Ronaldo aparecera para ver a criança. Norma o recebera cheia de pompas e fez logo questão de colocar o menino no colo do avô! A essa altura Carmen e Dona Jacinta já estavam de volta e permaneceram caladas durante a visita enquanto cumpriam os afazeres da domésticos. Quando Ronaldo pôs o neto nos braços por um instante, o admirou sorrindo. Em seguida fez brincadeiras com o menino de maneira quase eufórica. Por fim, cheio de felicidade, atiçou as duas: - Estão vendo? E vocês dizendo que não havia criança na barriga de Norma! São duas insanas mesmo! Que maldade que fazem com o meu Biju! Não é mesmo, vovô? Maldade, vovô, maldade! - Criança havia, realmente foi um engano, agora quem é o pai... Aí é que está! – disse Carmen - Vê se param de aporrinhar a menina... Está mais que comprovado! Não viram a cara dele? É a cara do Teo! Não é vovô? Não é? Sou a cara daquele canalha! Eu sou! Mas eu não vou ser como ele não, vovô! Não vou ser não... Eu vou ser é um homem de bem, viu? De bem! Dona Jacinta e Carmen entreolharam-se enquanto o avô brincava com a criança e Norma sorria à vontade... - Hã! A cara do Teo... A cara do menino ainda parece um joelho! – disse Dona Jacinta enxugando os pratos. Dias depois, Dona Jacinta recebera em casa um chamado da clínica pelo telefone, informando que o resultado do exame já estava pronto. Rapidamente, ao desligar, subiu para o quarto da filha mais velha e, ao entrar, já foi logo informando: - Filha! Filha! Acorda, menina! - Me deixa, mamãe! - Levanta, criatura! Me ligaram da clínica, chegou o resultado do exame! Carmen teve um sobressalto e, colocando as mãos sobre o peito, perguntou: - Qual foi o resultado? - Eu não sei! Tenho que ir à clínica buscar o exame! E pulou da cama já trocando de roupa. - Então vamos, mamãe! Está esperando o que? Vamos lá! - Se veste então, se veste que eu vou pegar minha bolsa! Carmen se vestiu apressada e saiu do quarto atrás da mãe... (Continua...) O.C. - Da Série "Casos de Família" © Copyright, 2013 Oscar Calixto - Todos os Direitos Reservados.


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