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Alfredo Kalles Jr. entrevista o ator Oscar Calixto.

Hoje nosso papo é com o ator, produtor, roteirista e dramaturgo Oscar Calixto, que comemora seus 26 anos de carreira com o espetáculo teatral sobre saúde mental, a aclamada peça Limítrofe e está escalado para o elenco de cinco produções cinematográficas, entre participações especiais, elenco principal e o protagonismo absoluto da cena.

Ele fala dos desafios da carreira, dá conselhos para iniciantes e ainda relembra seus primeiros trabalhos.

Com vasta experiência no audiovisual e merecidíssimos 8 prêmios no currículo, Oscar Calixto, nascido no estado de Alagoas e que vive no Rio de Janeiro há mais de duas décadas, revela detalhes de sua prodigiosa carreira ao site e você está convidado a conhecer agora um pouco mais deste fenomenal talento que consegue hipnotizar qualquer indivíduo quando está em cena. Confira:

Alfredo Kalles Jr. entrevista o ator Oscar Calixto.

Você já está com quanto tempo de carreira?

Você acredita que já são 26 anos?

Como foram seus primeiros trabalhos quando se mudou para o Rio?

No teatro, no Rio, acho que foi a peça Barrela de Plínio Marcos e na TV eu creio que foi uma participação na minissérie “Os Maias” da TV Globo. No cinema eu acho que foi o filme “Esquecemos a Brisa”.

Você tem ideia de quantas produções você já atuou considerando TV, teatro e cinema?

Foram 32 no teatro, 24 no cinema e 15 na televisão.

E qual foi o mais marcante até hoje?

Sem dúvidas foi a série “Brasil Imperial” (Amazon Prime), com direção do Alexandre Machafer e produzida pela Fundação Cesgranrio, onde tive a oportunidade de fazer meu primeiro protagonista no streaming.

O que um ator nunca pode ignorar no exercício da sua profissão?

A humildade, a generosidade, a disciplina, a constância, a consistência, o respiro, a persistência, a insistência e a consciência de que, no fim, você não “é” nada. Você simplesmente “está”. É como diz o verso daquele rock clássico: “All we are is dust in the wind”.

Com mais de 25 anos anos de carreira, quais suas dicas para iniciantes?

Estudem! Estudem e tenham a consciência de que temos uma PROFISSÃO REGULAMENTADA! Atuar não é para qualquer um e a gente precisa respeitar essa PROFISSÃO como uma PROFISSÃO, não como um hobby que qualquer um pode fazer. Tem que estudar, se formar e tirar o registro profissional (DRT). Você faria uma cirurgia com um médico que nunca estudou medicina? Atores são médicos da alma das pessoas. A gente lida com as emoções alheias e isso é algo muito sério. Não dá pra ser menosprezado não. Fora isso, nós podemos desconsiderar toda a luta que Guarnieri, Sérgio Britto e Dona Fernanda Montenegro tiveram no passado para que tivéssemos uma profissão regulamentada. Isso é um desrespeito ao legado conquistado por eles em benefício dos atores e permitir que um “não ator” exerça a nossa profissão é quase como dar um tapa na cara da classe artística e de todas as escolas de formação. Eu sei que isso é polêmico, mas isso seria o correto. Nós temos uma profissão, não um parquinho de diversão.

Como tem sido a experiência no espetáculo Limítrofe? Você também é o autor da peça? Como é seu personagem?

Sim, escrevi Limítrofe em 2012, mas só agora consegui montar numa parceria maravilhosa com meus irmãos de vida: os atores Raphael Najan e Barbara Reis, que também são os produtores executivos do espetáculo – foi uma união de forças incrível que fizemos para levantarmos esse espetáculo. A direção é do Daniel Dias da Silva e do Anderson Cunha e o elenco principal é composto por Malu Falangola, Rapahel Najan e eu, além de um convidado especial que sempre trazemos no final do espetáculo. Acho que Limítrofe é um furacão em nossas vidas. É um sucesso. As pessoas saem provocadas e muito reflexivas do espetáculo que discute questões muito sérias sobre o suicídio e saúde mental, mas que faz isso com muita leveza, poesia e humor, sem perder a profundidade necessária para discutir o tema. Nele, eu interpreto o Marcos, que é um escritor que, como todos naquele telhado, tem uma patologia psíquica e que acaba mudando totalmente o curso da história.

Pode falar da sua participação no filme Guido?

A participação foi um convite direto e eu tive muito prazer de estar numa produção tão bem cuidada e tão grandiosa. O filme tem a direção do Jayme Monjardim, que é extremamente apaixonado pelo que faz e que está rodeado pelos melhores profissionais do cinema nacional. A direção de fotografia é do André Horta, que também assinou a fotografia de “Dois Filhos de Francisco” e da série “Magnífica 70”, por exemplo. Além disso, eu ainda divido a cena com o querido Danilo Mesquita, com quem já tive o privilégio de trabalhar em outro filme há poucos anos. A produção será lançada em 2027 e acho que o público vai se emocionar com a história. O roteiro é do Paulo Cursino.

Você já atuou em algumas novelas e o que acha deve formato vertical e com menos capítulos apresentado no streaming?

Eu acho que é um novo formato, né? Mas acho que ainda estamos meio perdidos na ideia dele. Eu vi muita coisa ruim, na verdade… Até aqui não vi nada que me convencesse não. Mas talvez essa minha opinião deva estar infectada com a impressão do que vi e não gostei também. Ou nós ainda precisamos amadurecer um pouco mais. Não é porque é para a web que tenha que ser tão ruim e tão superficial. Ao fazer isso, acho que a gente subestima demais o público da web. Dá para produzirmos conteúdos melhores.

E tem mais novidades no cinema para este ano?

Estou bastante ativo no cinema. Fora a participação especial no filme do Jayme Monjardim, estou envolvido com outras 4 produções. Estou trabalhando em uma agora, tem mais duas para filmar no segundo semestre e outra para o início do ano que vem. As pessoas dizem que está ótimo, mas eu estou querendo mais. Ainda tem espaço na minha agenda e eu queria fechar ela toda, queria não ter tempo para nada.

Oscar, quais as dores e delícias de ser ator?

Não é um ofício muito fácil, né? É preciso uma entrega absoluta da alma. Eu estou nesse ofício há 26 anos e nada nunca foi muito fácil para mim. Eu sempre tive que ralar muito e tive que me autoproduzir demais. Escrever, produzir e dirigir foram desdobramentos do ator que precisou abrir outras frentes para se manter vivo.

Eu acho que a coisa mais importante e bonita desse ofício é o empréstimo que a gente faz, a entrega da alma para “ser outras pessoas”. Acredito que, quando a gente se empresta a esse ato de “ser espelho” a gente também “se melhora”, além de contribuir para que a sociedade analise o seu próprio comportamento e pense sobre as questões que dizem respeito ao seu próprio tempo.

Deixe uma mensagem para todos que vêm acompanhando sua prodigiosa carreira em todo esse tempo:

Eu agradeço a cada um que foi ao teatro assistir aos espetáculos que escrevi ou que eu estava trabalhando como ator, agradeço por cada palavra de carinho, de afeto e a cada demonstração de amor – vocês não fazem ideia de quantas vezes isso me salvou. Agradeço imensamente pelo interesse pelos trabalhos que faço, pela torcida infinita dos mais antigos e dos novos que me acompanham e que chegam de todos os lugares.

Para além dos agradecimentos, eu queria dizer para que “amem-se mais”. A vida é ou pode ser curta. Nós também nunca vivemos tempos tão volúveis, tão voláteis, perecíveis, ostensivos e perigosos. Nós estamos vivendo a verdadeira “cultura do descarte” e não estamos percebendo que estamos inseridos nela, que estamos tratando as nossas relações interpessoais como tratamos o feed das nossas redes sociais. Acho que a vida é muito mais que isso, que nós não merecemos viver desse modo em sociedade. É preciso que sejamos um pouco mais inteiros, menos “etéreos” e um pouco mais concretos e humanos. Precisamos tentar ser hoje um pouco mais que ontem e menos que amanhã.

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