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Por que “Limítrofe” é um espetáculo que precisamos agora?

Montagem é um lembrete de que, por trás dos filtros e dos algoritmos, existe um ser humano tentando não desmoronar.

Por que “Limítrofe” é um espetáculo que precisamos agora?

Nos próximos dias, caminhar até o Teatro Ipanema, na Zona Sul carioca, será mais do que um roteiro cultural ou turístico, mas um convite ao confronto. Isso poque está em cartaz até o dia 29 de março, o espetáculo “Limítrofe”, que retorna aos palcos do Rio comprovando que o teatro ainda é um dos melhores espelhos para as nossas feridas coletivas.

Com um texto assinado por Oscar Calixto, que também atua, a peça toca em um nervo exposto da sociedade moderna: a fragilidade da nossa saúde mental em um mundo hiperconectado.

E não se trata apenas de um drama sobre o “estar mal”, mas também de uma crítica social robusta aos novos fatores de risco que todos nós, artistas ou pessoas comuns, enfrentamos diariamente.

Nas entrelinhas, ainda somos convidados a perceber sobre o quanto o advento das redes sociais e a necessidade de uma performance constante transformaram a vida em um palco ininterrupto, e é exatamente nesse limite que a peça habita.

Por meio do vigor do seu elenco, somos transportados a uma autoreflexão. Oscar Calixto, Malu Falangola e Raphael Najan entregam atuações lapidadas que sintonizam perfeitamente a linha tênue entre riso e o choro.

Há um contraste necessário.

Por isso, a peça evita o peso absoluto ao injetar momentos de alívio cômico sagazes. E essas pausas para o riso não diminuem a gravidade do tema, ou sua seriedade. Pelo contrário, elas preparam o público para as cenas de forte impacto dramático.

Já que vivemos tempos de telas brilhantes e mentes exaustas, há de se destacar a ousadia em abordar tal dualidade de forma objetiva, sem rodeios. Por tal motivo, a peça é um lembrete de que, por trás dos filtros e dos algoritmos, existe um ser humano tentando não desmoronar.

Com um convidado especial diferente a cada sessão, Limítrofe ainda traz uma camada de imprevisibilidade que é a essência do teatro vivo. Propondo uma dinâmica que mantém a obra orgânica e sempre surpreendente.

Para Oscar, a montagem deriva de muito trabalho e de encontros interessados em produzir uma história que tocasse o público, mas que também promovesse a conscientização sobre um tema tão essencial.

“Limítrofe para mim é o resultado da união de esforços. Demorei 13 anos para vê-lo nos palcos porque não queria fazer de qualquer modo. Via claramente a necessidade de patrocínio e tentei por dois longos períodos o incentivo da indústria farmacêutica, a principal interessada no assunto. Quase consegui firmar na segunda vez, em 2016. Foi num reencontro com meu irmão de vida Raphael Najan e com Barbara Reis que vimos uma possibilidade e ali iniciamos a produção do espetáculo. Hoje, posso dizer que isso significa a quebra de tabus e a abertura para a discussão de um assunto urgente e necessário, que nasce como fruto de uma relação de confiança, compromisso e seriedade de três artistas que desejavam colocar no palco uma história que conscientizasse a sociedade sobre os males do nosso século”, declarou o ator e roteirista.

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