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Ouvir também é acolher

Equipe celebra a acolhida pelo público carioca de peça que aborda temas psíquicos com poesia

Ouvir também é acolher

“Eu me vi na peça”. “Vocês leram a minha dor”. Frases como essas têm sido recorrentes nas vidas do ator e dramaturgo Oscar Calixto e nas dos diretores Daniel Dias da Silva e Anderson Cunha. Sobretudo nos finais de semana, quando “Limítrofe” é apresentada no Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa, onde estreou no início do mês sua segunda temporada no Rio de Janeiro. É assim ao fim de cada apresentação da montagem, dirigida por Dias e por Cunha a partir do texto de Calixto.

O espetáculo consegue o feito de abordar com leveza e profundidade assuntos relacionados a patologias psíquicas, o que tem levado parte do público a abordar a equipe com depoimentos ao fim das sessões ou, em alguns casos, por escrito através das redes sociais da montagem.

– Um dos relatos mais marcantes foi o de um espectador que havia tentado suicídio. Ele me esperou sair para compartilhar sua história. Meu sentido foi o de ouvir, porque ouvir é também acolher, e tudo o que eu tinha a dizer já estava na peça – recorda-se Calixto relatando sua reação: – Eu o abracei e lhe disse: A vida é bonita. Vamos encarar nossas dores e abrir espaços para que a poesia e beleza de estarmos vivos nos atravessem e nos ajudem a sermos um pouco mais do que fomos ontem e menos do que seremos amanhã.

O autor divide a cena com Malu Falangola e com Raphael Najan. Eles vivem, respectivamente, um escritor, uma bailarina e um ator que encontram-se na cobertura de um prédio onde pretendem dar cabo de suas vidas. Os caminhos escolhidos pela dramaturgia, pela direção e pela forma como os atores construíram suas personagens são apontados por Dias da Silva como alguns dos trunfos da encenação.

– A receptividade vem de uma dramaturgia que combina temas delicados e relevantes, que precisam ser discutidos e debatidos com um humor crítico, que distensiona, mas que também provoca a reflexão – observa ele, destacando ainda: – Acho potente quando o teatro consegue combinar o entretenimento com a reflexão e se torna instrumento para debater ideias, promovendo a construção de um pensamento crítico a respeito do mundo.

Esse resultado é apontado também por Calixto como uma das principais razões pela empatia estabelecida entre o expectador e o que é narrado no palco. Ele destaca ainda a verossimilhança que a dramaturgia precisa ter com o que é levado à cena.

– A beleza de “Limítrofe” está em unir o drama em equilíbrio com o humor e a poesia. A vida não é uma coisa só, e a peça é o espelho da vida. Esses personagens possuem traços de pessoas que os inspiraram. Nada no texto existe sem um propósito. Há pessoas reais que inspiraram esses personagens, e elas estão por aí entre nós.

Na plateia, no palco e na vida como um todo.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Josi Areia (imagem)

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