Oscar Calixto
Imprensa
“Limítrofe”: O espetáculo que encara o caos emocional do nosso tempo.
Em cartaz até 9 de novembro no Teatro Dulcina, a peça escrita e protagonizada por Oscar Calixto mergulha nas complexidades da mente humana.
O telhado de um prédio de vinte andares é o ponto de encontro improvável para três desconhecidos... E também o palco metafórico de “Limítrofe”, espetáculo que ecoa o grito silencioso de uma sociedade adoecida. Entre ironias e confissões, o público é conduzido a uma viagem pelo universo das patologias psíquicas e dos humores instáveis, refletindo sobre o que acontece quando as emoções escapam do controle. Escrita por Oscar Calixto, que divide a cena com Malu Falangola e Raphael Najan, a montagem tem direção de Daniel Dias da Silva e Anderson Cunha, e permanece em cartaz até o dia 9 de novembro, no Teatro Dulcina, na Cinelândia.
Mais do que um retrato do sofrimento mental, “Limítrofe” é um espelho de uma era em que o absurdo se tornou rotina. A dramaturgia, construída com apoio de psicólogos e psicanalistas, dialoga com pensadores como Freud, Jung, Lacan e Bauman, e escancara a normalização do adoecimento coletivo. Oscar Calixto explica que a peça nasceu da observação de um mundo que transforma a dor em espetáculo e o desespero em meme. “Estamos absorvendo a lógica das redes sociais, tornando-nos seres ‘normóticos’, como dizia Pierre Weil — indivíduos que acham normal viver em sofrimento”, afirma o autor.
Reflexo de uma sociedade adoecida
De acordo com a International Stress Management Association (ISMA), o Brasil lidera o ranking mundial de pessoas ansiosas e está entre os países com mais casos de Transtorno de Personalidade Limítrofe. Nesse cenário, a peça propõe um respiro poético e filosófico. Misturando drama e humor, ela convida o espectador a refletir sobre empatia, julgamentos apressados e o valor de respeitar a dor do outro. Além da temporada, o projeto realiza debates semanais com profissionais da saúde mental, aproximando arte e consciência social.
“Limítrofe” defende que ainda é possível resgatar o tempo da contemplação e o encontro verdadeiro em meio à correria digital. “Não se trata de fugir da realidade acelerada, mas de criar zonas de silêncio, escuta e cuidado mútuo”, conclui Calixto. Em tempos em que tudo parece à beira do colapso, a peça surge como uma pausa necessária — talvez a última oportunidade para existir, antes do limite.
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